Estratégias de ciclo de vida dos produtos do Instituto Caapuã

Todo o produto industrial gera, além das necessidades as quais atende, impactos. Os impactos ambientais são divididos em impactos positivos e impactos negativos. Esses impactos geram consequências que podem ser benéficas ou danosas, tanto para a sociedade quanto para o ambiente. Sendo assim, a condição ideal, para uma sociedade eco-eficiente, é que a balança entre impactos positivos e impactos negativos se equilibre, gerando consequências responsáveis.

 

Isso significa dizer que os impactos positivos (os benefícios para a sociedade, tais como: satisfação de necessidades, conforto, segurança, etc.) devem superar os impactos negativos (os danos sociais e ambientais, tais como: desperdício de material, despejo de resíduos no ambiente, etc.). Além disso, deve haver um esforço para que os impactos negativos se reduzam ao máximo, existindo apenas quando forem realmente indispensáveis para o processo de produção.

 

Uma posicionamento estratégico, que leva em consideração todas as questões levantadas acima, é a abordagem do Projeto do Ciclo de Vida do Produto. Essa é uma ação multidisciplinar na qual engenheiros, designers, administradores, profissionais de marketing, entre outros profissionais envolvidos com a produção de um produto nas empresas, somam competências na busca de um projeto ambientalmente responsável.

 

Essa premissa é corroborada por Manzini e Vezzoli (2002), que afirmam que:

 

No futuro, portanto, uma das tarefas para o desenvolvimento de novos produtos vai ser a de projetar o ciclo de vida inteiro do produto, ou, como se diz em inglês, projetar o Life Cycle Design (LCD) (MANZINI & VEZZOLI, 2002 : p.100).

 

No LCD o design assume uma visão sistêmica, passando a se responsabilizar pelo sistema-produto, ao invés de responsabilizar-se apenas pelo produto. Assim o designer passa a se tornar o gestor de todo esse processo, fazendo a integração entre as áreas e potencializando a aplicação dos requisitos do LCD no contexto.

 

Seguindo esse raciocínio, para os referidos autores, as estratégias de LCD devem aboradar todas as fases do processo de desenvolvimento do produto, ou seja, na pré-produção, na produção, na distribuição, no uso e no descarte. Essas estratégias são mais bem representadas no quadro abaixo:

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Figura 1 – Estratégias de LCD e fases do ciclo de vida (MANZINI & VEZZOLI, 2002 : p.106).

Preocupado com essas questões o Instituto de Referência em Pesquisas Ambientais Caapuã criou, em outubro de 2007, a Coordenadoria de Ecodesign, na qual eu (Marco Ogê Muniz) assumi a função de Coordenador de Ecodesign. A formação dos demais membro do instituto (Ecologia, Administração, Arquitetura, Biologia, Engenharia Florestal, Engenharia Sanitária e Ambiental, Engenharia em Aqüicultura e Engenharia em Agronomia) somada a minha formação em Design Industrial forma um quadro de profissionais eficaz para o trabalho voltado ao ambiente. A multidisciplinaridade da equipe condiciona a instituição a elaborar projetos de LCD.

 

A região do Alto Vale do Itajaí, do Estado de Santa Catarina, é um pólo industrial do Estado. Alguns classificam a região como pólo têxtil, outros como pólo moveleiro, mas a característica principal das indústrias do Alto Vale é a diversidade. Há uma grande concentração de industrias, dos mais variados setores.

 

Essa concentração industrial gera impactos ambientais. No que diz respeito a essa situação, a Coordenadoria de Ecodesign do Caapuã assume a responsabilidade de não apenas criticar, mas também indicar os caminhos para uma produção mais limpa. Sendo assim, apresento um exemplo clássico de produto em que a preocupação ambiental predomina.

Quem não se lembra do extrato de tomate da Arisco?

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Figura 2- Embalagens de extrato de tomates da Arisco.

Isso, aquele mesmo! Aquele de vidro, com uma tampinha de alumínio. Pois então, trata-se de um sistema-produto altamente durável, no que diz respeito ao ciclo de vida. Pelo menos por parte do vidro. Fala-se em sistema-produto porque, uma vez encerrado o ciclo de vida do extrato de tomate (produto comercializado), dá-se início ao ciclo de vida da embalagem (embalagem de vidro). Os consumidores têm o costume de reutilizar a embalagem de vidro como copo (depois de lavadapara o uso). A embalagem se torna um novo produto. A função inicial da embalagem (comportar o extrato) se encerra, dando início a uma nova função (comportar líquidos). Tudo isso ocorre sem alteração de forma, o artefato é o mesmo, o que muda é a maneira de utilização. Esse é um caso clássico da eficácia do LCD. Me respondam com sinceridade, quem não tomou uma caipirinha numa embalagem de extrato de tomates?

Artigo por Marco Ogê Muniz – Coordenador de EcoDesign.

Referências Biliográficas:

MANZINI, Ezio. O Desenvolvimento de Produtos Sustentáveis / Manzini, Ezio, Vezzoli, Carlo; tradução de Astrid de Carvalho. – São Paulo : Editora da Universidade de São Paulo, 2002.

www.arisco.com.br