Vivemos a beira de um colapso, um não, vários. O caos aéreo, a entrega do crescimento da malha ferroviária, o despertar tardio para o transporte marítimo, falta de alimento, falta de aguá, falta de noção.
Soma-se a tudo isso o fato de sermos um povo, em sua maioria, acomodado e favorecido pelo clima e geografia.
“De que forma fazer, um país favorecido por mais de 8.000 quilômetros de lindas praias, de clima tropical, a ler, como em países da Europa, onde, metade do ano é inverno?”
Frase do escritor infantil Ziraldo ao ser perguntado sobre a excelência do mercado literário europeu.
Na atual conjuntura política, o Presidente da Republica Federativa do Brasil poderia ser, o Jeca Tatu, personagem do saudoso e lendário Mazzaropi. Até porque os crescentes números da economia, usados diariamente em discursos de palanque, revelam “que nunca na história desse país” foi tão determinante a eficiência do empresariado brasileiro. Diante de impostos furtivos, da falta de logística e de caráter dos políticos e seu correligionários, estes, em sua maioria, ladrões que se apoderam de maneira fraudulenta, da única possibilidade, do Brasil ser competitivo economicamente no futuro, onde a representatividade que os cabe, é para beneficio dos seus.
Enquanto estes, que hoje, enchem os pulmões de ar ao falar em democracia, em estado democrático de direito, enquanto as entidades representativas da sociedade civil, permanecerem com seus quadros envolvidos a pretensões partidárias e enquanto os jovens deste país acharem a política cafona, como justamente os políticos querem, e não fizerem política de fato, estes políticos, lamento, continuarão, com “jeitinho” a administrar os municípios, os estados e a nação.
Há algum tempo hospedou-se em minha casa um representante da UNE (União Nacional dos Estudantes), com intuito de visitar o campus de uma das faculdades, na cidade onde moro, Rio do Sul.
Amigo dos tempos em que militei no Movimento Estudantil, como presidente do DCE e do CA de Arquitetura e Urbanismo em Jaraguá do Sul, o recebi com propósito de facilitar sua estadia, pratica comum entre os militantes do ME. O acompanhei até o campus, onde já havia uma aglomeração de estudantes a sua espera.
O debate tratava entre outras coisas, das atividades coordenadas pela UNE para “salvar a Amazônia”. Sobre este assunto um dos estudantes presente ao debate, pediu a palavra e realmente incomodado, disse aos presentes;
“Vivemos numa região, até alguns anos atrás, riquíssima em recursos naturais e que visivelmente vem sofrendo com as intervenções do homem. Algo precisa ser feito urgente! Aqui! Em nossa região! Viramos as costas para os rios, ignoramos as nascentes, plantamos e replantamos até empobrecer o solo, construímos em áreas de preservação, cagamos na água que bebemos, usamos em demasia agrotóxicos, ainda não sabemos o que fazer com nosso lixo e por aí vai.”
A Amazônia esta a mais de 7.000 quilômetros daqui. “Salvar” a Amazônia por que esta na moda ou por que conseguimos “salvar” o lugar onde nós vivemos? A UNE e outras entidades correlacionadas, deveriam incentivar o potencial humano para as atividades de recuperação e preservação na região onde essa mão de obra voluntária vive, daí quem sabe “salvaremos” a Amazônia. O estudante foi aplaudido de pé, pelos presentes.
por Heber Xavier Ferreira – Diretor de Bioarquitetura